Nova vacina contra câncer de pele reduz em 49% risco de retorno do tumor
Uma vacina experimental personalizada contra o melanoma, desenvolvida pela Moderna em parceria com a Merck, apresentou resultados positivos em um estudo clínico de fase 3. Segundo dados preliminares divulgados pelas empresas nesta quarta-feira, 19 de agosto, a combinação da vacina, chamada intismeran autogene, com o imunoterápico Keytruda reduziu em 49% o risco de o câncer voltar e de se espalhar para outras partes do corpo após a cirurgia.
O estudo envolveu 1.137 pacientes com melanoma que haviam passado pela retirada completa do tumor, mas ainda apresentavam risco de recidiva. Cerca de dois terços receberam a combinação da vacina com o Keytruda, enquanto os demais receberam apenas o imunoterápico durante aproximadamente um ano.
Na análise preliminar, os pacientes que receberam os dois tratamentos apresentaram resultados estatisticamente superiores tanto na sobrevida livre de recorrência quanto na sobrevida livre de metástase à distância. As empresas, porém, ainda não divulgaram os percentuais exatos de redução de risco observados nessa etapa.
A intismeran é produzida de forma individualizada. A partir da análise genética do tumor, são identificadas mutações específicas do câncer e desenvolvida uma molécula de RNA mensageiro (mRNA) capaz de orientar o sistema imunológico a reconhecer e atacar essas células.
O Keytruda atua de maneira diferente, bloqueando uma proteína utilizada pelos tumores para escapar da ação do sistema imunológico. A combinação dos tratamentos busca, portanto, direcionar a resposta imunológica contra as células cancerígenas e aumentar sua eficácia.
O estudo ainda está em andamento e os resultados completos não foram publicados. Segundo as empresas, não foram identificados novos sinais de segurança em relação aos estudos anteriores.
A tecnologia de mRNA utilizada na vacina também está sendo investigada contra outros tipos de câncer, incluindo tumores de pulmão, bexiga e rim. Apesar dos resultados iniciais, especialistas ressaltam que ainda são necessárias novas análises para avaliar o impacto da estratégia e sua eventual incorporação à prática clínica.
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Suseli Cristo
jornalismo@universalfm.com.br
Publicado em: 19/08/2026, 14:46
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