Palmeirense relata rotina na guerra da Ucrânia e mantém desejo de voltar para casa

Palmeirense relata rotina na guerra da Ucrânia e mantém desejo de voltar para casa
(Foto: Reprodução Rádio Palmeira/Divulgação)

A atuação na linha de frente da guerra entre Rússia e Ucrânia impõe riscos constantes, longos deslocamentos e períodos sem contato com a família. Essa é a realidade relatada pelo palmeirense Andrei Soeiro Martins, de 29 anos. Apesar dos desafios, ele mantém o objetivo de retornar em segurança ao Brasil e reencontrar a mãe e o filho.

Natural de Palmeira das Missões, Andrei estudou nas escolas Erci Campos Vargas e Borges do Canto. Antes de viajar, trabalhou na construção civil no município e na empresa Bruning Tecnometal, em Panambi. O interesse em ir à Ucrânia surgiu em fevereiro de 2022, com o início da invasão russa. Sem experiência militar anterior no Brasil, viu na oportunidade a possibilidade de realizar um objetivo pessoal e, segundo ele, ajudar a população atingida pelo conflito.

Ele deixou o Brasil em março, partindo do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, com destino a Portugal e, depois, à Polônia. De ônibus, chegou a Lviv, na Ucrânia, onde providenciou a documentação necessária. Após formalizar o contrato, foi encaminhado para treinamento de aproximadamente 40 dias antes de iniciar as missões na infantaria, na área de defesa territorial.

Na linha de frente, os deslocamentos podem exigir caminhadas de 20 a 27 quilômetros até as posições militares, em áreas expostas a drones, minas terrestres e ataques de artilharia. Andrei descreveu uma dessas jornadas como uma das experiências mais perigosas de sua vida. As missões podem durar de 30 a 40 dias, chegando a até 70 dias em determinadas situações. A retirada de militares feridos também pode levar vários dias, dependendo das condições de segurança e do acesso ao local.

Outro desafio é a distância da família. Durante algumas missões, ele permanece até 30 ou 40 dias sem contato direto com os parentes. Quando há conexão e as condições permitem, conversa com a mãe e o filho pelo WhatsApp.

Longe da guerra, o desejo é voltar à vida em Palmeira das Missões. Andrei sente falta do chimarrão, dos churrascos em família, dos amigos e, principalmente, dos momentos com o filho. Entre as cenas que imagina ao retornar estão passear com a criança no parque, caminhar pelo calçadão e observar os aviões no aeroporto do município.

Mesmo diante dos perigos e das incertezas do conflito, sua principal expectativa é voltar em segurança ao Brasil e retomar a convivência com a família.

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Susi Cristo

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jornalismo@universalfm.com.br

Publicado em: 20/10/2026, 15:24